
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa,
navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal,
estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos,
vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar
um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa,
onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte,
certamente exclamará: "já se foi".
Terá sumido ? Evaporado ?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma
capacidade que tinha quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de
destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante
em que alguém diz: já se foi", haverá outras vozes,
mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro".
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor
que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível
do invisível dizemos: "já se foi". Terá sumido ? Evaporado ?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo...
(Esp.Victor Hugo)