30.1.10

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"Eu quis tanto ser a tua paz,

quis tanto que você fosse o meu encontro.

Quis tanto dar, tanto receber.

Quis precisar, sem exigências.

E sem solicitações,aceitar o que me era dado.

Sem ir além... compreende?

Não queria pedir mais do que você tinha,

assim como eu não daria mais do que dispunha...

por pura limitação humana!!!

Mas o que tinha,era seu!!!"






(Caio F. de Abreu)

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24.1.10

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A noite,

enorme,

tudo dorme,

menos seu nome...


(Leminski)



imagem J.S.H.

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22.1.10

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Penso em tudo que me deste,

olho para o que te tornaste

e duvido da tua identidade...

A cidade se estende diante de meus pés

como se por ela tu nunca tivesses passado.

Ela não te sabe. E quanto a mim? Eu ainda te sei?

Também as ruas que nos viram passar

estranham tua presença constrangida.

Teus sapatos não bastam para que teus passos sejam os mesmos...

Desaprendeste a língua que inventamos,

um idioma de ésses e arabescos...

O fio da nossa vida enroscou-se numa impossibilidade

e a urdidura vai se desfazendo

ponto por ponto,

 ponto por ponto...

até que reste um emaranhado de lembranças

desconexas, disléxicas, flácidas, que no fim não é nada,

até que perca-se o começo da meada

e não reste resto de quem queira resgatá-la.

A cidade também a mim, no fim, não reconhece

e vejo que talvez nos tenhamos perdido de mãos dadas...

(Ticcia)




imagem J.S.H.
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20.1.10

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Com meus olhos de cão...

Tem gente que acha que os outros
estarão para sempre a sua disposição.
Podem sumir,abandonar,se negar a dar apoio,
não dar a mínima bola,desconsiderar.
Assim que precisarem,ou quiserem,
ou bem entenderem,
estará lá,seu belo cãozinho amigo,
de língua para fora e rabo abanando,
contente porque o dono chegou de viagem
e, às vezes, até, oh, que maravilha, trouxe um osso.
Então eles vêm, fazem um afago
e a gente se sente a criatura mais feliz
sobre a face da terra.Pelo menos por 5 minutos.
Depois,eles lembram que têm mais coisas para fazer,
viram as costas e tchau. Sabe-se lá até quando.
O cãozinho vai cantinho, deita no seu trapinho,
dá uma choramingadinha e espera até a próxima boa ação.
Até, magoado, planeja fugir
ou dar uma boa mordida na mão da próxima vez,
mas possivelmente a alegria da volta será tanta,
que vai esquecer do que planejou.
Não há outra opção que quebre esse círculo,
a não ser deixar de ser 'cão'...
Daí,se realmente fizermos falta,
irão até nossa casa
e não mais até o fundo do seu quintal
baterão à porta,
e não mais apenas estalarão os dedos...

(Ticcia)



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16.1.10

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Ando a chamar por ti, demente, alucinada...

Aonde estás, amor ? Aonde... aonde... aonde?

O eco ao pé de mim segreda... desgraçada ...

E só a voz do eco, irónica , responde!


Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!

O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;

Parece a tua voz, a tua voz tão linda

cantando como um rio banhado de luar!


Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!

Esta saudade enorme, esta saudade imensa!

E só a voz do eco à minha voz responde ...

Em gritos, a chorar, soluço o nome teu.

E grito ao mar,à terra,ao puro azul do céu:

Aonde estás, amor???

Aonde... aonde... aonde???...

(F. Espanca)




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12.1.10


Soneto à tua volta

Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.

Obrigada... Eu vivia tão sozinha...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!

Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...

Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...

(JG de Araujo Jorge)



imagem J.S.H.

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9.1.10

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♫... quando estou com você


estou nos braços da paz!... ♫




imagem J.S.H.

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5.1.10

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Do mal, muita coisa,boa,resultou...

Mantendo-me calmo, nada reprimindo,
permanecendo atento e aceitando a realidade.
Vendo as coisas como elas são
e não mais como eu queria que elas fossem...

Ao fazer tudo isso, adquiri um conhecimento incomum,
assim como poderes invulgares,
de uma amplitude que jamais poderia ter imaginado!
Sempre pensara que quando aceitamos as coisas,
elas nos sobrepujam de um modo ou de outro.
Resulta que isso não é verdade em absoluto.

É somente aceitando as coisas...
que podemos assumir uma atitude em relação a elas!

Por isso, tenciono agora fazer o jogo da vida,
ser receptivo a tudo que me chegar,bom e mal,
sol e sombra alternando-se eternamente; e,
desta forma, aceitar também minha própria natureza,
com seus aspectos positivos e negativos.

Assim, tudo se torna mais vivo para mim.
Que insensato eu fui!
Como me esforcei para forçar todas as coisas
a harmonizarem-se com o que eu pensava que devia ser ...


- Carl Gustav Jung -



Imagem J.S.H.

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