A solidão não me é prazerosa... não me basto como companhia,
preciso dos meus silêncios tanto quanto preciso
dos silêncios dos outros... a fazer eco dos meus.
Eu não basto a mim mesma pq minha matéria não cabe em mim.
Vivo de transbordamentos e avalanches
e preciso em quem transbordar.
Vivo de entregas,
vivo enquanto me dou de presente...
me ofereço...
Vivo para extrapolar minhas fronteiras
e me imiscuir em terra estrangeira.
Vivo enquanto exploro e fecundo,
vivo enquanto tomo outros territórios,
enquanto me aproprio,possuo e sou possuída...
Minha fome não se aplaca em autofagia,
preciso da carne de outro,
do sangue de outro... dos olhos de outro!...
(Patricia Antoniete)
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