28.5.09

...

Quero teu colo e o cheiro que tens

abaixo do olho,perto no nariz

e os teus olhos ancorados nos meus,

teus olhos como bocas escancaradas

prontos para devorar meus pensamentos.

Quero um momento desses,que já tive tantos,

para decorar mais uma vez a cor das tuas palavras,

sentir os riscos que fazem em minha pele,

as pegadas que deixam em meus sentidos.

Quero me abrir toda em pétalas...

oferecer minha matéria aos teus dedos

e impregnar minha substância sob tuas unhas.

Quero amarelecer teu sorriso pelas ruas vazias de mim.

Quero te amar, pequena e tola, mais uma vez

e depois me achar cravejada de rubis e esmeraldas,

aos pés de um altar onde não há nada além do

Teu Nome!



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(Patricia Antoniete)
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25.5.09



(...)


Queria me atirar a teu pés,

agarrar tuas pernas,

enfiar o rosto encharcado

entre teus joelhos

e implorar:

Fica! 






(Ticcia)

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21.5.09

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Vem, amor, me dá a tua mão e corre comigo pela rua,
Vem pegar no meu coração e ver como eu sou só tua!

Vem me beijar com devocão, me lamber da cabeça aos pés,
Vem com aquele tesão e me afoga nas tuas marés.

Vem me morder, me possuir e satisfazer meus caprichos
Vem me curtir sem mentir e soltar em mim teus bichos...

Vem me amar sem maneiras e sem o menor complexo,
Vem atravessar as fronteiras e faz meu corpo perder o nexo...

Vem pegar esta fêmea no cio e afagar a dor da saudade,
Vem te afogar no meu rio e ser meu mar de felicidade.

Vem me possuir como quiser, sem lugar nem hora marcada,
para que o amor possa fazer de mim a mulher mais amada!

Vem me pega e me desvenda o corpo e a alma ressequida,
Vem e me beija a doce fenda por onde o amor se faz vida...

Vem...


Imagem J.S.H


Poema inspirado num olhar
que a louca e cega paixão
não soube conquistar
e deixou à deriva...
como flor ressequida
que rola pelo chão...

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(Lud MacMartinson)


9.5.09

Rumo... sem prumo...



Sou forte a maior parte do tempo e aprendi a chorar sozinha,

longe dos olhos do mundo,da curiosidade mórbida e piedade alheia.

Minhas armaduras não são impenetráveis, mas são bem resistentes.


Contudo, faz frio e é escuro aqui dentro...


Não, não resisto a chuvas e trovoadas, não sou impermeável,

nem dura na queda e, não raramente

preciso-e não acho-um colo.

Quanto mais me aproximo de tudo, mais o nada me abraça,

quanto mais em direção às estrelas, mais perto do vácuo.

De quase te tocar,meus dedos queimam a ausência da tua pele,

de tanto te imaginar,meus olhos ardem sem teus contornos,

de tanto desejar altura e permanência,

despenco rumo ao nunca...







(Patricia Antoniete)

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4.5.09

(re)Significando


Porque já não quero asas,
o mundo do ar,
das infinitas suspensões e interregnos.

Porque preciso de terra e de formigas,
umidade de chão e charco, folhas caídas,
momentos fecundos.

Porque em mim,
estanca-se o tempo de aguadas,
as correntes se invertem,
os barcos ancoram
e se faz hora de remendar as redes,
pés descalços no agora.

Porque preciso reinventar o sonho,
costurá-lo miúdo em princípio,
alinhavar pequeno
bordar no início,
começar de dentro...
a nova rosa dos ventos! 

(Patricia Antoniete)





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