15.9.10

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Lembro-me o que fui dantes.
Quem me dera... não lembrar!
Em tardes dolorosas
Lembro-me que fui a primavera
Que em muros velhos faz nascer as rosas!

As minhas mãos outrora carinhosas
Pairavam como pombas…
Quem soubera
Por que tudo passou e foi quimera,
E por que os muros velhos não dão rosas...

São sempre os que eu recordo que me esquecem…
Mas digo para mim: “Não me merecem…”
E já não fico tão abandonada!

Sinto que valho mais, mais pobrezinha:
Que também é orgulho ser sozinha
E também é nobreza não ter nada!

(Florbela Espanca)



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