27.7.09

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A solidão não me é prazerosa... não me basto como companhia,

preciso dos meus silêncios tanto quanto preciso

dos silêncios dos outros... a fazer eco dos meus.

Eu não basto a mim mesma pq minha matéria não cabe em mim.

Vivo de transbordamentos e avalanches

e preciso em quem transbordar.

Vivo de entregas,

vivo enquanto me dou de presente...

me ofereço...

Vivo para extrapolar minhas fronteiras

e me imiscuir em terra estrangeira.

Vivo enquanto exploro e fecundo,

vivo enquanto tomo outros territórios,

enquanto me aproprio,possuo e sou possuída...

Minha fome não se aplaca em autofagia,

preciso da carne de outro,

do sangue de outro... dos olhos de outro!...


(Patricia Antoniete)
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