14.9.09

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Vai chover.
Ventos se avizinham e enfiam sorrateiros 
suas mãos de gelo pelas frestas da roupa.
Levaram o sol embora. 
Levaram o calor do sol pra outro lugar.
E também o azul da tarde. 
Levaram daqui as sombras das árvores, 
o rio, uns risos de criança.
O dia soa numa batida metálica que me sobressalta. 
Ouço uma sinfonia alta de silêncios 
entrecortados por faca de prata no pêndulo do relógio. 
Vai fazer frio. 
As flores amarelas acastanham-se nos vasos, 
despetalam-se como se chorassem sobre a toalha manchada da sala. 
Os lençóis já não esperam, as ternuras se levantaram 
e deixaram inscrito um amarfanhado de inquietudes. 
A casa tingiu-se de depois e tristezas 
e nem o gato ousa procurar réstias de sol. 
Sabe que hoje sol não há. 
Hoje é dia de janelas fechadas, 
de desassossegos e ausências. 
Faz frio por dentro e chove em mim. 

Patricia Antoniette




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