Vai chover.
Ventos se avizinham e enfiam sorrateiros
suas mãos de gelo pelas frestas da roupa.
Levaram o sol embora.
Levaram o calor do sol pra outro lugar.
E também o azul da tarde.
Levaram daqui as sombras das árvores,
o rio, uns risos de criança.
O dia soa numa batida metálica que me sobressalta.
Ouço uma sinfonia alta de silêncios
entrecortados por faca de prata no pêndulo do relógio.
Vai fazer frio.
As flores amarelas acastanham-se nos vasos,
despetalam-se como se chorassem sobre a toalha manchada da sala.
Os lençóis já não esperam, as ternuras se levantaram
e deixaram inscrito um amarfanhado de inquietudes.
A casa tingiu-se de depois e tristezas
e nem o gato ousa procurar réstias de sol.
Sabe que hoje sol não há.
Hoje é dia de janelas fechadas,
de desassossegos e ausências.
Faz frio por dentro e chove em mim.
Patricia Antoniette

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Ventos se avizinham e enfiam sorrateiros
suas mãos de gelo pelas frestas da roupa.
Levaram o sol embora.
Levaram o calor do sol pra outro lugar.
E também o azul da tarde.
Levaram daqui as sombras das árvores,
o rio, uns risos de criança.
O dia soa numa batida metálica que me sobressalta.
Ouço uma sinfonia alta de silêncios
entrecortados por faca de prata no pêndulo do relógio.
Vai fazer frio.
As flores amarelas acastanham-se nos vasos,
despetalam-se como se chorassem sobre a toalha manchada da sala.
Os lençóis já não esperam, as ternuras se levantaram
e deixaram inscrito um amarfanhado de inquietudes.
A casa tingiu-se de depois e tristezas
e nem o gato ousa procurar réstias de sol.
Sabe que hoje sol não há.
Hoje é dia de janelas fechadas,
de desassossegos e ausências.
Faz frio por dentro e chove em mim.
Patricia Antoniette

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