Sou forte a maior parte do tempo e aprendi a chorar sozinha,
longe dos olhos do mundo,da curiosidade mórbida e piedade alheia.
Minhas armaduras não são impenetráveis, mas são bem resistentes.
Contudo, faz frio e é escuro aqui dentro...
Não, não resisto a chuvas e trovoadas, não sou impermeável,
nem dura na queda e, não raramente
preciso-e não acho-um colo.
Quanto mais me aproximo de tudo, mais o nada me abraça,
quanto mais em direção às estrelas, mais perto do vácuo.
De quase te tocar,meus dedos queimam a ausência da tua pele,
de tanto te imaginar,meus olhos ardem sem teus contornos,
de tanto desejar altura e permanência,
despenco rumo ao nunca...

(Patricia Antoniete)
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